Ministro do STJ faz enquete sobre intervenção militar e causa polêmica

Membro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Og Fernandes causou polêmica nesta quinta-feira (28) ao lançar uma enquete em sua conta no Twitter: “Vc é o juiz: o Brasil deve sofrer intervenção militar? Sim ou não”, o que gerou controvérsia não foi tanto a pegunta em si, mas o fato de ter sido proposta por alguém do alto escalão do Judiciário nacional.

O tema veio à tona há duas semanas, após o general Antônio Hamilton Mourão, secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército, defender uma intervenção militar caso a Justiça não resolva o problema da corrupção no país.

O oficial, literalmente, colocou pressão sobre o Judiciário e causou constrangimento, daí a estranheza por Fernandes se sentir à vontade para fazer a provocação na internet.

O resultado da enquete foi o seguinte: 51% responderam não e 49%, sim, parte dos internautas criticou a iniciativa do ministro e o acusou de defender ou não uma intervenção.

Outros aproveitaram para defender o período da ditadura militar Mais de 37 mil perfis votaram, “sério isso ministro? Isso nem deveria ser a pauta do Brasil, ainda vindo de um magistrado”, escreveu Rodrigo Martins.

À Gazeta do Povo, o ministro explicou que costuma usar a rede social para tentar saber o que seus seguidores pensam e tentar aproximar o Judiciário da sociedade.

“Vi uma pesquisa que indicava que 43% da população era a favor da intervenção militar, aquilo me chamou atenção e, a meu ver, não corresponderia ao sentimento da população.

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Vi que esse seria um bom tema para auscultar a população, minha expectativa era que 10% afirmassem ser a favor da intervenção militar, de noite percebi o sectarismo, há empate técnico”, explicou o ministro sobre o que o motivou a publicar a pergunta.

O magistrado disse que essa foi a enquete mais importante que ele propôs nos últimos tempos, pois evidenciou o quão dividida está a sociedade.

Para Fernandes, o resultado da enquete é reflexo da polaridade na população, que se mostra intolerante quando os temas são mais polêmicos.

“Nós precisamos olhar esses dados com cuidado, a questão não é discutir a pergunta, é uma pergunta simples e isenta, a resposta é preocupante, pois evidencia a polaridade, comentou.

Ele disse que alguns internautas o acusaram de ser contra ou a favor da intervenção militar apenas por propor a enquete, e afirmou que em nenhum momento defendeu um dos lados, apenas propôs um debate objetivo.

“Nós nunca tivemos tanto tempo de democracia plena como agora, [e nesse momento temos] uma parcela da população que é extremamente sectária, que me parece intolerante à liberdade alheia.

É muito fácil quando você tolera quem pensa igual a você, eu quero saber se as pessoas conseguem manter um comportamento civilizatório de quem pensa contrário a você”, declarou.

“As pessoas pressupõem que há um lado, é uma percepção, e políticos reforçam isso, o debate sobre a intolerância é importante, é preciso cuidado porque quando se radicaliza a ação, a resposta pode ser radical”.

Questionado sobre se acha que parte dos votos da enquete possam ser resultados irreais a partir de ações de robôs, o ministro reconheceu que não tem esta informação.

Ele disse ainda irá buscar mais informações sobre isso com a ajuda de técnicos que possam realizar essa avaliação.

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