Quem sofre mais: a ministra ‘escrava’, o servidor coitado ou o brasileiro comum?

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O brasileiro que tem trabalho ganha em média R$ 2.115 por mês. E agradece pela oportunidade de trabalhar no meio do feriadão, algo que não têm os 12,961 milhões de desempregados do país.
O auditor fiscal da Receita Federal, um servidor público, com garantia de estabilidade de emprego, tem salário inicial de R$ 19.211, sem contar o bônus de eficiência de R$ 3 mil.

E o presidente de seu sindicato promete ir às ruas contra o que classifica de “atrocidades” do governo, a redução no auxílio-moradia, o adiamento do reajuste do funcionalismo (que impedirá os auditores de receber no mínimo R$ 20.123 em 2018) e o aumento da contribuição à Previdência para quem ganha mais de R$ 5.531.

A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, que é desembargadora aposentada e aceitou por espontânea vontade o cargo oferecido por Michel Temer, recebe o teto do funcionalismo – R$ 33.763. Ganharia mais, se a Constituição não impedisse. Por isso, julga estar trabalhando sem receber e se sente numa espécie de trabalho escravo.

Luislinda, que diz trabalhar 14 horas por dia, dedicou parte de seu tempo a escrever um requerimento de 207 páginas em que solicita ao governo o desrespeito ao teto constitucional. No documento, ela explica que seu benefício como desembargadora aposentada é de R$ 30.471 por mês, e que o salário de ministra é de R$ 30.934. Para se fazer justiça, acredita Luislinda, seu salário mensal deveria chegar à soma de R$ 61.405. Mas, com o chamado “abate teto”, que impede o contracheque de superar o limite previsto na Constituição, sua remuneração de ministra fica limitada a R$ 3.292.

Quando fala de trabalhar sem receber, Luislinda está se referindo a esses R$ 3.292. Valor que supera a média salarial de todos os servidores públicos brasileiros, que é de R$ 3.272, segundo o IBGE, em sua conta, o instituto considera desde o servidor federal que ganha igual aos ministros do STF até o servente de limpeza que ganha salário mínimo numa prefeitura de interior.
Como se vê, o brasileiro médio, o presidente do Sindifisco e a ministra Luislinda têm visões bem distintas sobre trabalho e remuneração. E, por consequência, veem de forma diferente os efeitos da recessão econômica e da crise das contas públicas.

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A ministra Luislinda e a elite do funcionalismo não ganham o que ganham à toa. Estão ali por mérito, na maioria dos casos, e são bem remunerados em razão da importância de seu trabalho para o bom funcionamento do Estado e dos serviços públicos.

Seria aconselhável, no entanto, que olhassem em volta antes de reivindicar o papel de vítimas.

Que olhassem não para os colegas de repartição ou funcionários de outros poderes que ganham mais, nem para os que conseguem na Justiça o direito a receber acima do que permite a Constituição. E sim que observassem a maioria desorganizada e mal remunerada que paga seus salários, caso alguém tenha esquecido, não é o bolso de Temer que sustenta a folha de pagamento do funcionalismo.

O servidor público assumiu para si a missão de servir ao público. Tem direito a uma remuneração justa para isso. Mas não tem direito ao deboche.

Com informações (gazetadopovo)

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