Crítico a Moro e Lava Jato, juiz de tribunal revisor é ex-petista

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O único juiz do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) a votar pela abertura de processo disciplinar contra Sergio Moro, sob a alegação de “índole política”, foi filiado ao PT por quase 20 anos. A reportagem é do jornal Folha de S. Paulo.

Rogério Favreto ocupou cargos no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em outras administrações petistas antes de ingressar no tribunal. Seu posicionamento contrário ao juiz que conduz a Lava Jato em primeira instância no Paraná ocorreu quando se discutiu a conduta de Moro no caso das gravações de telefonemas trocados entre o ex-presidente Lula e sua sucessora, Dilma Rousseff.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, Favreto se filiou ao PT em 1991. Ao jornal, ele afirmou ter se desfiliado em 2010, antes de virar juiz. Atualmente, o magistrado é um dos relatores de processos cíveis da Lava Jato na corte de Porto Alegre. Como atua na área cível do TRF-4, ele não julgará o recurso apresentado por Lula no processo relativo ao tríplex de Guarujá. Nele, o juiz Moro condenou o ex-presidente a 9 anos e meio de prisão.

Caso a sentença em segunda instância se confirme, Lula poderá ser impedido de se candidatar à Presidência da República. Favreto é crítico aos procedimentos adotados pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e por Moro.

“Vejo muitos colegas em todas as áreas, especialmente no Ministério Público, mas também na magistratura, muito seduzidos porque vai ter uma divulgação, vai ter uma visibilidade e isso vai contaminar e tirar a credibilidade da sua decisão”, disse à Folha .

Favreto afirma que não tem envolvimento com política partidária atualmente e seria “o primeiro a se dar por suspeito” caso julgue o caso de alguém com quem tenha relação pessoal. Procurado pela reportagem, Moro informou que não iria se manifestar.

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A força-tarefa da Lava Jato afirmou que não iria comentar as opiniões de Favreto e “reconhece a legitimidade de visões eventualmente divergentes, ainda que delas possa discordar”.

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