‘Ainda tinha esperança que ela sobrevivesse’, diz avô de menina espancada e morta pelo tio

Jovem foi agredida após dizer que saiu com rapaz na tarde do sábado (10), no bairro Maria Luiza, em Araraquara (SP). Agressor foi encontrado e preso após se esconder em mata.

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Hemilly Brenda foi espancada e morta pelo tio em Araraquara, SP (Foto: Arquivo Pessoal)

O avô da menina de 14 anos que foi espancada e morta pelo tio, em Araraquara (SP), está revoltado com a atitude do agressor, que foi preso pela Polícia Militar.

“Ela estava em estado bastante grave, mas eu ainda tinha esperança que ela sobrevivesse. Eu sempre a amei demais, desde pequenininha”, disse Divino Donizetti Negretti.

O crime aconteceu na Avenida Paulo Pagotto, no bairro Maria Luiza 3, onde a vítima morava com os avós.

Segundo Negretti, a adolescente Hemilly Brenda Gonçalves de Oliveira chegou em casa e disse que tinha saído com um rapaz para namorar. Embriagado, o tio espancou a sobrinha com socos e chutes.

A estudante chegou a ser socorrida pelo avô até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Via Expressa e foi transferida para a Santa Casa, onde morreu no domingo (11).

Briga

Em entrevista a EPTV, afiliada da Rede Globo, o avô da estudante disse que o tio, Washington Samuel Gonçalves de Oliveira, de 27 anos, tinha consumido bebida alcoólica e se descontrolou quando a sobrinha teria dito que estava saindo com um homem mais velho.

“Eu estava na garagem, manobrando meu carro. Ia sair para levar Hemilly até a casa do pai dela.

Aí eu ouvi um barulho dentro de casa, alto, tipo que estava batendo alguma coisa na parede, acho que era ele que estava sentando a menina na parede, e minha mulher estava gritando. Entrei em casa e vi a menina desmaiada no corredor”, contou.

O avô socorreu a neta e chamou a polícia. Segundo a PM, a jovem teve traumatismo craniano, diversas lesões pelo corpo e precisou ser transferida para a Santa Casa.

“Ela estava bem machucada na cabeça. O próprio médico disse que acha que ele deu chutes nela, porque o coração e outros órgãos dela estavam um pouco fora do lugar”, disse o avô.

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A adolescente passou por uma cirurgia na cabeça e, de acordo com o avô, tiraram um pedaço do osso craniano, já que a menina estava com o cérebro muito inchado.

“Os médicos também disseram que tiraram uma coisinha mínima do cérebro e que se ela sobrevivesse teria sequelas”.

Tristeza e revolta

Negretti disse que os sentimentos que ficam são de tristeza e revolta. “Perdi uma menina que é uma criança, tinha a vida toda pela frente. Era melhor que fosse eu, do que ela”, lamentou.

“Eu falei uma vez para minha esposa ‘se esse moleque ficar entrando aqui tio da menina, ele vai dar problema para nós, esse moleque vai fazer alguma coisa aqui em casa’ . Foi dito e feito”, acrescentou o avô.

Chocados, os vizinhos da adolescente lamentaram a morte da garota. “A menina tinha uma estrutura de 1,30m de altura, pequenininha. Ele já é bem mais forte do que eu. Ele foi um monstro”, disse o pedreiro Antônio Carlos Mutti.

“É um absurdo porque não se educa uma criança espancando. É um absurdo isso que aconteceu”, declarou a auxiliar de limpeza Adriana Florinda Mutti.

Prisão

Oliveira foi encontrado e preso pela PM em uma área de mata. Ele mora perto da casa da vítima e já tinha passagens por agressões contra a esposa e a mãe.

Ele foi levado para a cadeia de Santa Ernestina e teve a prisão preventiva decretada, sendo transferido para o Anexo de Detenção Provisória de Araraquara.

Aos policiais, ele disse que foi conversar com a menina por conta da situação de ela ter se relacionado com uma pessoa mais velha e de má índole, envolvido com tráfico de drogas.

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“Ele acabou discutindo e disse que apenas empurrou a menina, que sofreu uma queda. Ele foi autuado por tentativa de homicídio, porque no momento da sua prisão a vítima ainda se encontrava com vida. Posterior a isso, ela veio a falecer.

Se o crime for na forma qualificada, ele está sujeito de 12 a 30 anos de prisão”, explicou o sargento Claudio Adriano Silva.

Nota de pesar

A Secretaria Municipal de Educação de Araraquara publicou uma nota de pesar através da página oficial da prefeitura no facebook. Hemilly era aluna da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ruth Cardoso.

“Quando ainda reverberam as celebrações do Dia Internacional da Mulher, Araraquara registra o falecimento de Hemilly, vítima da violência que assola milhares de mulheres no nosso país”, diz um dos trechos.

A nota traz uma reflexão sobre os números de violência contra mulheres e repudia toda e qualquer forma de agressão.

Também reafirmam o compromisso na urgência de combater e superar o quadro da violência contra a mulher na cidade, através da promoção de ações que consolidem relações mais humanas, de respeito e de paz.

“Se a violência contra a mulher é uma construção social, é passível de desconstrução. E esse é um compromisso da nossa Rede”, conclui o comunicado.

Fonte: G1