Maior operação do Exército no Rio vazou um dia antes

Exército admite vazamento de operação contra roubo de carga no Rio

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(Foto:Reproduçao/jose lucena/Futura Press)

A maior operação contra o roubo de cargas e de veículos comandada pelo Exército no Rio durante a intervenção federal vazou um dia antes e ajudou os criminosos a fugirem do Complexo do Lins antes da chegada das tropas na madrugada de terça (27).

A ação, que mobilizou 3.400 militares, terminou com um resultado frustrante: 24 pessoas presas, 10 kg de maconha, além de cocaína e crack em quantidade não divulgada, apreendidos.

Foram capturadas também duas pistolas 9mm, um revólver 32mm, munição em quantidade não informada, 10 carros e 11 motos. Nenhum fuzil, porém, foi apreendido.

Moradores da comunidade, na zona norte da cidade, relataram que desde a tarde de segunda-feira (26) já se comentava no complexo de favelas da possibilidade de uma ação das Forças Armadas na região.

A inédita intervenção federal na segurança pública do estado do Rio foi anunciada pelo presidente Michel Temer (MDB) em 16 de fevereiro, com o apoio do governador Luiz Fernando Pezão, também do MDB.

Temer nomeou como interventor o general do Exército Walter Braga Netto. Ele, na prática, é o chefe das forças de segurança do estado, como se acumulasse a Secretaria da Segurança Pública e a de Administração Penitenciária, com PM, Civil, bombeiros e agentes carcerários sob o seu comando.

Nesta quarta-feira (28), ao ser questionado sobre o fato de alguns dos moradores da comunidade terem tomado conhecimento da operação ainda na véspera, o porta-voz do Gabinete de Intervenção, o coronel Roberto Itamar, admitiu que o vazamento é “previsto e controlado pelo planejamento”.

Mesmo assim, Itamar afirmou que a operação no complexo de favelas, que fechou por mais de cinco horas a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, obteve sucesso.

“O fato de não ter um grande número de apreensões não significa que foi um insucesso. O trabalho da inteligência foi realizado, mostrou que podemos entrar em qualquer lugar no Rio e forçamos o movimento da criminalidade.”

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No ano passado, uma operação no Lins realizada pelo Exército também vazou.

Dias depois, um soldado recruta do Grupo de Artilharia e Campanha foi preso suspeito de vazar informações das tropas federais em operações no Lins e em Niterói.

O Exército deverá realizar novas operações na comunidade nos próximos dias.

Além do tráfico de drogas, criminosos do complexo também praticam roubos de cargas e de veículos na região.

“A intervenção nunca prometeu efetividade e rapidez. Todos sabem das dificuldades de trabalhar numa área urbana de comunidade. É uma tarefa difícil. Não tem ninguém trabalhando fora da legalidade. Isso pesa a favor do outro lado. Mas faz parte do jogo”, afirmou Itamar.

  • esgoto

Sob pressão para apresentar resultados da intervenção federal, as Forças Armadas iniciaram uma nova fase na última terça-feira (27) e realizaram uma série de ações ao mesmo tempo.

Além da operação no Complexo do Lins, os militares realizaram inspeções no presídio Bangu 3 e em três Batalhões da PM e patrulhamento ostensivo nas principais vias e áreas turística.

Militares investigam a possibilidade de vazamento na inspeção em Bangu 3. Apenas um celular foi apreendido. Os presos jogaram os aparelhos pelo sistema de esgoto do presídio.

Segundo pesquisa Datafolha feita na semana passada, a intervenção tem apoio de 76% dos moradores da cidade do Rio. A maioria, porém, avalia que a ação do Exército até agora não fez diferença no combate à violência (71%).

Crime de maior repercussão desde que começou a intervenção, a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, completa duas semanas nesta quarta (28) sem resultados concretos da investigação -nada se sabe sobre o crime.

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Com informaçoes: yahoo.com