Em seu Twitter; General Eduardo Villas Bôas dá ultimato ao STF e diz repudiar impunidade

Comandante do Exército se manifesta e Bonner é obrigado a ler nota ao vivo no JN

0
243
(Foto: Reprodução)

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou em seu perfil no Twitter, nesta terça-feira (3), véspera do julgamento do habeas corpus impetrado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no STF (Supremo Tribunal Federal), que repudia “a impunidade”. Ele se diz ainda “atento às suas missões institucionais”, sem detalhar o que pretendeu dizer com a expressão.

O general fez duas postagens na noite desta terça-feira (3). Na primeira, questionou, na atuação situação do Brasil, “quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”.

Na segunda, afirmou que o Exército Brasileiro julga “compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.


Por volta da meia-noite, as postagens tinham cerca de 23 mil comentários, quase 10 mil compartilhamentos e mais de 2 mil comentários. Entre os comentários, apoio de outros oficiais à manifestação do comandante do Exército Brasileiro.


As afirmações do general surgem em um momento de tensão social e política, com protestos ocorridos ou marcados em várias partes do país contra e a favor de Lula. Ao jornal “O Globo”, o Centro de Comunicação Social do Exército confirmou que as postagens foram feitas pelo comandante e revelam o que ele pensa sobre o momento do país.

Veja Também  Advogado de 17 réus na Lava Jato, é flagrado de bermuda no STF

Para ministro da Defesa, fala de Villas-Bôas é coerente

Também ao “Globo”, o ministro interino da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, afirmou que as postagens foram no sentido contrário ao uso da força.

“O general Villas Boas tem mostrado coerência, é uma marca de sua gestão. Ele tem preocupação com preceitos constitucionais. E valoriza nossas bases, que são os anseios do povo, o legado em termos de valores para as gerações futuras. A mensagem é que a população pode ficar tranquila, pois as instituições estão aqui. Não é uma mensagem de uso da força. É o contrário”, afirmou Silva e Luna, que complementou: “Não há reprovação dentro do governo.”

Villas Bôas não foi o único oficial de alta patente a se manifestar politicamente na véspera do julgamento do habeas corpus de Lula. Em entrevista ao Estadão, o general de Exército de reserva, Luiz Gonzaga Schroeder Lessa, disse que se conceder nesta quarta-feira (4) o habeas corpus preventivo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o STF (Supremo Tribunal Federal) estará induzindo a violência entre os brasileiros, na opinião do general de Exército da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa.

“O que querem no momento é abdicar da justiça e fazer politicagem na mais alta corte do país”, afirmou Lessa, que foi comandante militar do Leste e da Amazônia. “Se acontecer tanta rasteira e mudança da lei, aí eu não tenho dúvida de que só resta o recurso à reação armada. Aí é dever da Força Armada restaurar a ordem. Mas não creio que chegaremos lá”, afirmou.

ROGERIO GALINDO: “Quem crê na democracia tem de ser solidário contra quem não crê”

Segundo o jornal “O Globo”, nesta quarta-feira, o Alto Comando do Exército, formado por Vilas Bôas e os 16 generais quatro estrelas da Força, irá se reunir às 17 horas. O encontro estava agendado desde a semana passada e, segundo militares, deve discutir a conjuntura política.

Veja Também  Senadora Gleisi Hoffmann recebeu R$ 16, 5 milhões do PT

Temer silencia sobre declaração de general

O presidente Michel Temer decidiu, por ora, não se manifestar sobre a declaração do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. Procurada pela reportagem, a Secom (Secretária de Comunicação da Presidência) informou que o presidente não vai comentar.

Em caráter reservado, assessores e auxiliares de Temer adotaram o discurso de que o general teve como intenção marcar uma posição pública diante da cobrança para que as Forças Armadas se manifestassem. Para eles, a declaração não indicaria uma possibilidade de as Forças Armadas atuarem politicamente caso seja revertida a prisão imediata do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela condenação em segunda instância.

Nas palavras de um ministro, o general marcou posição “em defesa das regras do jogo”, defendendo o respeito às instituições públicas. Alguns auxiliares, mais alarmistas, falam já em “crise institucional”. Para o entorno do presidente, no entanto, o “timing” da declaração, às vésperas do julgamento, pode passar uma mensagem equivocada. Na avaliação deles, a frase pode gerar críticas às Forças Armadas, sobretudo dos partidos de oposição, que podem aventar um risco de golpe.

“Isso definitivamente não é bom”, diz Janot

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot demonstrou preocupação com as declarações do comandante do Exército e de outros militares de alta patente. Ao compartilhar uma reportagem do site “O Antagonista”, em que outros generais aparecem dando apoio à manifestação de Villas Bôas, Janot escreveu em seu perfil no Twitter: “Isso definitivamente não é bom. Se for o que parece, outro 1964 será inaceitável. Mas não acredito nisso realmente”.


Rodrigo Maia e Gleisi Hoffmann pregam respeito à Constituição

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por sua vez, disse que “em momentos de turbulência, quando setores da sociedade se posicionam de diferentes formas, não se deve questionar o respeito à Constituição. Cada órgão do Estado deve seguir exercendo suas funções nos limites estabelecidos por ela. É hora de buscar a união do País com serenidade”, afirmou.

Veja Também  A ilha da família Lula : mais um elo entre Jonas Suassuna e Lulinha da Silva

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que, “assim como afirma o general Villas Bôas”, o partido defende “o combate à impunidade e o respeito à Constituição, inclusive no que diz respeito ao papel das Forças Armadas. E o respeito à Constituição implica na garantia da presunção de inocência”, disse a petista.

Com informações Gazeta do Povo