Jovem do DF é estuprada por 5 homens; família alega omissão da polícia

Corregedoria da Polícia Civil de Goiás investiga queixas. Parentes dizem que agentes fizeram perguntas 'constrangedoras'; delegado nega.

(Foto:Reproduçao)

Uma jovem de 20 anos foi estuprada por cinco homens depois de ser sequestrada enquanto esperava o ônibus para voltar para casa, no Distrito Federal. O crime ocorreu por volta das 19h de domingo (8) no Novo Gama, cidade do Entorno do DF.

Segundo a família, ela tinha acabado de sair da casa da madrasta, no Pedregal, em Goiás, e seguia em direção à casa onde mora, em Santa Maria, no DF. No trajeto até a parada de ônibus, de acordo com os parentes, ela foi rendida por dois homens, que roubaram o celular e fugiram.

Minutos depois, ainda conforme a família, a dupla voltou com outros três homens e, sob ameaça de uma arma de fogo, a jovem foi obrigada a entrar em um carro. Ela relatou à Polícia Civil que ficou cerca de 1 hora e 30 minutos com os sequestradores e que, depois de ser estuprada, foi jogada para fora do carro em um matagal.

  • ‘Despreparo’

O estupro, no entanto, não foi a única violência sofrida pela jovem naquela noite, afirmaram familiares. A mãe relatou à TV Globo que houve “despreparo” dos policiais da central de flagrantes em Valparaíso de Goiás – onde foi registrada a ocorrência –, para lidar com o caso.

“Ficavam perguntando se ela tava drogada… Perguntando se ela usava droga.”
Ao G1, a Polícia Civil de Goiás afirmou que o delegado da regional de Luziânia – que fica responsável também pela área do Novo Gama –, Rodrigo Mendes, encaminhou as queixas para a Corregedoria da corporação nesta terça (10). Se forem comprovadas falhas na conduta dos policiais, eles poderão responder administrativamente.

Segundo a polícia, a investigação está no Novo Gama, o inquérito foi instaurado e o delegado deve ouvir a vítima ainda nesta terça. A corporação explicou que a jovem foi atendida, primeiramente, pelo plantão da delegacia de Valparaíso. O caso, então, foi encaminhado à unidade do Novo Gama.

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No final da manhã, o delegado Cassius Zamó, de Valparaíso, disse à TV Globo que não houve constrangimento. Segundo ele, havia uma policial feminina durante o interrogatório. Zamó acrescentou que “a vítima não mostrou qualquer prova, como pele embaixo da unha ou cabelo dos agressores”.

Segundo o delegado, os policiais não levaram a jovem para o IML porque ela estava acompanhada de uma prima. Zamó afirmou ainda que a vítima “tinha sintomas de embriaguez”.

  • Perguntas ‘constragedoras’

De acordo com a mãe da jovem, só havia homens entre os policias durante o depoimento da filha em Valparaíso. Eles teriam feito perguntas “constragedoras” sobre a violência sexual, chegando a pedir que a jovem detalhasse o estupro.

“Tinha pele do estuprador nas unhas dela. Ela mostrou para os policiais e eles ignoraram. Falando que não era prova porque eles não ‘iam levá-la para o IML.”

A família disse, ainda, que o delegado responsável pela ocorrência sequer pediu a alguém da equipe que levasse a jovem ao Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia, para fazer o exame de corpo de delito. “Só falou que não podia levar ela pro IML, que não ia levá-la ao IML”, disse a mãe.

O pedido de encaminhamento para exame pericial de “constatação de conjunção carnal” chegou a ser feito pelo delegado Cassius Zamó, que assina o documento. Mas a família diz que, neste momento, já era madrugada e que não foi possível levar a jovem ao IML por falta de transporte.

A menina foi levada ao Hospital Regional do Gama (HRG). Lá, recebeu medicações contra doenças sexualmente transmissíveis, mas acabou perdendo provas que poderiam ajudar na identificação dos criminosos.

“Ela falava: ‘ó, eu tenho um cabelo. Um cabelo da pessoa’. O policial falava que não era prova. E ainda perguntou: ‘Mas esse cabelo ela conseguiu mordendo o estrupador?'”, relatou a mãe.

  • A palavra da mulher

A especialista em direitos das mulheres Soraia da Rosa Mendes disse ao G1 que a delegacia não é obrigada a conduzir a vítima ao IML. Soraia, contudo, afirmou que a polícia falhou em não orientar a jovem a preservar as provas do estupro.

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“Quero deixar bastante claro que a palavra da vítima deve ser levada em consideração e ser o centro gravitacional desse processo. Mas é fundamental que a prova material seja preservada, como restos de pele sob as unhas, resquícios de cabelos e prova do líquido seminal – caso tenha ocorrido conjunção carnal”, apontou a especialista.

Com informaçoes: G1

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