Pai morre após suposto atraso ao buscar filho na casa de ex-mulher

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(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

O inspetor de alunos de José Tadeu de Souza, 67 anos, morreu nesta quarta-feira (18), após sofrer traumatismo craniano em uma discussão com a ex-mulher, o atual marido dela e o filho mais velho dela, no começo da tarde de sábado (14), no Bairro Tucuruvi, na Zona Norte de São Paulo. Ele bateu a cabeça no chão e ficou internado na UTI do Hospital Geral de Guarulhos, onde passou por cirurgia, mas não resistiu à gravidade das lesões.

O confronto começou quando Souza chegou para buscar o filho de 7 anos que teve com Carla Patrina de Oliveira, 39 anos. Ele deveria pegar a criança às 10h, mas se atrasou duas horas porque estava de plantão no trabalho e havia passado em um mercado para comprar um bolo de aniversário para o filho, que havia completado 7 anos na quarta-feira (11). Após a confusão, o bolo acabou ficando na casa do vizinho.

“Ele foi impedido pela mãe [Carla] de ver o filho no dia no aniversário dele”, disse Thais Aparecida de Souza, 26 anos, filha do inspetor de alunos.

(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Segundo a versão de Carla sobre o ocorrido e que foi registrada na 73º Distrito Policial, o ex-marido chegou para buscar o filho e, ao ver o atual marido Braulio Niel Nobre, 41 anos, Souza teria ficado com ciúmes e iniciado a discussão. “Ele pegou uma chave de roda que não sei como estava ali na calçada e acertou a cabeça de meu marido, que se protegeu e reagiu empurrando meu ex-marido.
Braulio foi socorrido e levado ao Hospital São Luiz Gonzaga, no Jaçanã, onde foi medicado e liberado.

Ela afirmou ainda que havia uma medida protetiva da Justiça contra seu marido em decorrência de boletins de ocorrência que ela havia registrado por supostamente ter sido ameaçada por Souza. “Fiz uns três ou quatros boletins na DDM [Delegacia da Mulher], tinha até uma medida protetiva para ele ficar longe. Dia 29 agora teria uma audiência na Justiça.”

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Em sua versão apresentada à polícia, Carla não menciona que seu filho Eduardo Oliveira Aguillar, fruto de outro relacionamento, teria participado da discussão e briga. Na versão registrada na polícia pela filha da vítima, no 39º Distrito Policial, ela informa sobre a internação do pai em estado grave, cujos ferimentos foram provocados por agressões cometidas por Carla, Braulio e Eduardo.

Segundo Thais, o pai havia pedido recentemente na Justiça a guarda do menino e isso teria irritado a mãe do menino. “Meu pai sempre pagou pensão direitinho e ainda atendia aos pedidos dela para remédios, roupa, brinquedos, eletroeletrônicos”, disse ela.

Thais afirmou ao G1 que Carla ficou irritada com a visita de uma assistente social da Justiça, que foi averiguar as condições em que o menino de 7 anos vivia com a mãe e se havia indícios de maus tratos. “Isso a deixou muito irritada e ela começou a colocar dificuldades para meu pai ver o filho. Toda vez que se encontravam era um problema diferente. Meu pai não tinha mais relacionamento com ela há dois anos, essa hipótese que ela alega, de ciúmes, não tem sentido algum.”

O G1 conversou com um vizinho que presenciou a briga e relatou que Souza foi agredido primeiro, que ele tentou correr para fugir das agressões e, no outro lado da rua, foi cercado por Carla, Braulio e Eduardo, onde acabou sendo empurrado, caído e batido a cabeça no chão. “Desde que isso aconteceu eles saíram da casa e não voltaram mais aqui. O mais triste de tudo isso é que o menino de 7 anos viu toda a agressão”, disse o vizinho, que prefere não se identificar.

Carla disse que está fora de São Paulo e nega que o filho tenha visto a agressão sofrida pelo ex-marido. “Estou tomando calmante, meu marido está com febre. Meu ex-marido queria me matar, essa era a intenção dele [Souza]. Tirei meu filho de perto da confusão”, afirmou a mulher.

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A Polícia Civil, em nota, informou que a morte de José Tadeu de Souza é investigada em inquérito policial no 39º Distrito Policial. Familiares estão sendo chamados para depor e que diligências estão sendo feitas para localizar possíveis câmeras de segurança na região que possam ter registrado o momento do desentendimento.

O advogado da família de Souza, Bruno Benevento, disse que vai acompanhar a investigação de perto. “Espero que a polícia dê andamento no caso, que peça a prisão preventiva dos responsáveis pelo crime, pois eles estão foragidos.”

Com informações G1