União Europeia pede eleições livres na Venezuela

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Foto: Reprodução/Adriana Loureiro/Reuters

A União Europeia fez um apelo na noite de quarta-feira (23) para a organização de “eleições livres e credíveis” na Venezuela. A declaração aconteceu no dia em que o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaidó, declarou-se presidente interino.

A nota divulgada pela União Europeia, no entanto, não menciona diretamente a iniciativa de Guaidó, que já foi reconhecida por 13 países, entre eles, o Brasil e os Estados Unidos. Nicolás Maduro, que se diz alvo de um golpe, afirmou que não vai se render.

No dia em que os venezuelanos foram às ruas em manifestações pró e contra o governo chavista, a Alta Representante para a Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, afirmou em nota que o povo da Venezuela “pediu maciçamente a democracia e a possibilidade de determinar livremente seu próprio destino. Essas vozes não podem ser ignoradas”.

“A UE apela fortemente ao início de um processo político imediato que conduza a eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem constitucional”, diz a nota de Mogherini. “A UE apoia plenamente a Assembleia Nacional como instituição democraticamente eleita cujos poderes devem ser restaurados e respeitados.”

Mogherini ainda defende que “os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo o seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser observados e plenamente respeitados”. Guaidó já foi detido há alguns dias após declarar estar disposto a assumir a Presidência.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também fez um apelo pelo diálogo para evitar “um desastre” no país.

“O que esperamos é que o diálogo seja possível e evitar uma escalada que nos levaria a um tipo de conflito que poderia ser um desastre para o povo da Venezuela e para a região”, declarou. “Os governos soberanos têm a possibilidade de decidir o que querem. O que nos preocupa na situação da Venezuela é o sofrimento do povo da Venezuela”, completou.

‘Golpe’

Maduro acusou os Estados Unidos – primeiro país a reconhecer Guaidó como presidente interino – de dirigirem uma operação para impor um golpe de estado e anunciou o rompimento de relações diplomáticas e políticas com o país.

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“Estamos aqui pelo voto do povo. Só as pessoas colocam e só as pessoas removem. Pode um ‘qualquer’ se declarar presidente ou é o povo que elege o presidente?”, questionou. Maduro, que conta com o apoio das Forças Armadas, também prometeu resistir.

“Aqui não se rende ninguém, aqui não foge ninguém. Aqui vamos ao combate. E aqui vamos à vitória da paz, da vida, da democracia”, disse.

Brasil

Jair Bolsonaro reconheceu Guaidó como presidente da Venezuela durante encontro com líderes de outros países em Davos, na Suíça, onde participava do Fórum Econômico Mundial.

Hamilton Mourão, que ocupa a Presidência em razão da viagem de Bolsonaro, declarou que o Brasil não participaria de uma eventual intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. Segundo ele, não faz parte da política externa brasileira “intervir” em questões internas de outros países.

Protestos continuam

Após a grande mobilização popular de quarta-feira em Caracas, a Venezuela continuou a enfrentar protestos durante a madrugada desta quinta-feira (24). Trata-se do 3º dia consecutivo de manifestações contra o governo de Maduro.

De acordo com a agência de notícias EFE, os protestos desta quinta-feira voltaram a se concentrar em bairros populares de Caracas, antes considerados bastiões do chavismo, que governa o país desde 1999.

Desde o início das manifestações, pelo menos 13 pessoas morreram no país, segundo a ONG Observatório Venezuelano de Conflito Social (OVCS). De acordo com o órgão, as vítimas foram atingidas por disparos e foram atacadas por agentes da polícia ou por grupos paramilitares.

Com informações: G1