jovem relata abusos dentro de casa ‘Comer o próprio vômito’:

As redes sociais são espaços importantes para a denúncia e resolução de crimes. Eva Luana, uma jovem de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, recorreu ao Instagram para relatar abusos sofridos pelo padastro.

O depoimento é forte e causou comoção. Segundo a moça de 21 anos, a violência se estendeu por oito anos. Houve agressões físicas, verbais, psicológicas e estupros. “Era obrigada a tomar bebidas até vomitar e quando vomitava tinha que tomar o próprio vômito como castigo”.

Eva conta que a por causa dos espancamentos, a mãe deu à luz prematuramente. Os abusos, de acordo com a jovem, começaram quando ela tinha 12 anos. A mãe também sofria na mão do homem. Ela confirmou a versão da filha.

Relato forte e sem precedentes

“Minha mãe apanhou tanto que teve um parto prematuro, meu irmão morreu depois de 6 dias de nascido. Quando ela estava grávida dele, levou diversos chutes e joelhadas na barriga. Ele não queria mais um filho”, relata.

A história parece saída das telas de cinema. Quer dizer, nem o mais premiados dos roteiristas de Hollywood seria capaz de criar algo com tamanha crueldade.

“Ele começou a me abusar sexualmente. Eu tinha nojo, repulsa, ódio e não entendia porque aquilo acontecia comigo. Me sentia uma criança estranha e diferente das outras. Achava que aquilo só acontecia comigo.

Eu tentei por diversas vezes ir para a casa da minha avó, mas ele sempre ligava ameaçando todos, dizendo que iria matar e fazer várias coisas assim. Então era uma prisão sem grade, literalmente”, explica em postagem que acumula milhares de curtidas.

O responsável pelas agressões é apontado como Thiago Oliveira Alves. Paulista radicado na Bahia depois de ter sido preso por roubo de carro em São Paulo. A relação com a mãe de Eva começou aos poucos. Depois de engatar um namoro, entrou na casa da família baiana para ‘passar uns dias’. Não saiu mais.

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Eva Luana sofreu, mas teve coragem de procurar por justiça. O Estado falhou. Ao 13 anos, ela denunciou o padrasto, mas não recebeu a atenção devida. “O Estado falhou a tal ponto que o meu caso não chegou nem ao Ministério público. Fui obrigada a retirar a queixa por ameaças do meu padrasto”.

O risco de tornar a história pública teve consequências. Depois de ser ignorada pela Justiça, Eva sofreu. “Ali eu perdi a minha alma. E o que eu fui denunciar, 1 ano de sofrimento, se multiplicou em mais 8 anos”.

E saibam, caros leitores, aparências enganam. Enquanto a sociedade olhava para uma ‘família perfeita’, mãe e filha atravessavam um calvário. A agora estudante do sétimo período da faculdade de Direito, foi obrigada a comer uma pizza grande e beber dois litros de refrigerante em 10 minutos. Claro que não conseguiu. O abusador respondeu com socos e chutes.

“Ele enfiou as pizzas na minha boca me chamando de animal, eu vomitei e comi meu próprio vômito. Meu gato comeu um pedaço e lambeu outro, ele me obrigou a comer o que ele havia lambido. Eu apanhei a noite toda e no outro dia eu tinha que fingir que nada havia acontecido”.

A vigilância era constante. Nada de amigos ou namorado. O celular tinha que estar à disposição do agressor. Eva chegou a engravidar dele e abortou mais de uma vez. “Nunca pude ir ao médico pra fazer curetagem. Todas as vezes sangrava e passava mal a noite inteira. Já vi bebês inteiros no vaso sanitário”.

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Embora machucada e desapontada em níveis inimagináveis, a jovem encontrou o Direito. Eva Luana da Silva será juíza. Ao lado da Justiça, mesmo que a admiração não tenha sido correspondida.

Os sinais de liberdade vieram no início de um estágio no Fórum de Camaçari. Mateus Cascais, que no futuro se tornaria seu namorado, deu a segurança para que Eva Luana pudesse desabafar.

“Ele já tinha tentado se aproximar de mim várias vezes, mas eu sempre dizia: ‘não, não fala comigo’. Mas todos já percebiam que tinha algo de errado”, lembra.

Mateus buscou ajuda da Justiça. Uma queixa foi registrada na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Camaçari, em 30 de janeiro. Eva não voltou mais para casa. Foi acolhida pela professora Maria Cristina Carneiro, hoje sua advogada.

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