Michel Temer e ex-ministro Moreira Franco são presos pela Lava Jato

O ex-presidente Michel Temer (MDB) foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (21) pela força-tarefa da operação Lava Jato. O mandado foi cumprido na casa do ex-presidente, em Pinheiros, na zona Oeste de São Paulo.

Temer foi abordado pelos policiais federais dentro de um carro, quando saía de casa para um compromisso. Os agentes ainda cumpriram um mandado de prisão contra o ex-ministro Moreira Franco, de Minas e Energia, no Rio de Janeiro.

Está preso também o coronel João Baptista Lima Filho, apontado por delatores como operador do ex-presidente. Mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele, em São Paulo, foram cumpridos pela PF.

Um mandado de prisão contra o ex-ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, ainda permanece em aberto.

Temer foi levado ao Aeroporto de Guarulhos sob escolta policial, de onde viajará ao Rio de Janeiro em um avião da Polícia Federal. A decolagem está prevista para acontecer entre 13h e 13h30. Moreira Franco também deverá ser encaminhado à sede da PF no Rio.

Confira a nota da PF sobre a operação:

“A Polícia Federal deflagrou hoje (21/03) a Operação Descontaminação e cumpre 08 Mandados de Prisão Preventiva, 02 Mandados de Prisão Temporária e 24 Mandados de Busca e Apreensão nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná e no DF.

A investigação decorre de elementos colhidos nas Operações Radioatividade, Pripyat e Irmandade deflagradas pela PF anteriormente e, notadamente, em razão de colaboração premiada firmada pela Polícia Federal.”

Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

OPERAÇÃO RADIOATIVIDADE

A operação desta quinta decorre da Operação Radioatividade, que teve por base as delações do empresário José Antunes Sobrinho, ligado à Engevix, e do corretor Lucio Funaro, conhecido por ser operador de políticos do MDB, segundo o jornal O Estado de São Paulo.

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Sobrinho falou à PF em seu acordo de delação sobre “pagamentos indevidos” que somam R$ 1,1 milhão, em 2014, solicitados pelo coronel Lima e pelo então ministro Moreira Franco, com anuência de Temer, em troca de contratos para obras da Usina Angra 3.

Em setembro do ano passado, Temer afirmou à Revista Época que não estava preocupado com a possibilidade de uma eventual prisão. “Não estou preocupado com esse assunto (ser preso). Até porque chicotear o presidente é uma coisa. Já o ex-presidente não vai ter muita graça”.

DEFESA

Temer conversou por telefone com o jornalista Kennedy Alencar, da CBN, no momento em que era preso pela PF e classificou a determinação de Bretas como “uma barbaridade”.

Em nota, o MDB criticou a prisão de Temer. “O MDB lamenta a postura açodada da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco. O MDB espera que a Justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito de defesa”.

DEZ INQUÉRITOS

Temer responde a dez inquéritos, dos quais cinco deles tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal) por terem sido abertos à época em que era presidente da República. Esses cinco foram encaminhados aos tribunais de primeira instância depois que ele deixou o cargo.

Os outros cinco inquéritos foram autorizados pelo ministro Luís Roberto Barroso neste ano, quando Temer já havia perdido o foro privilegiado. Por isso, assim que deu a autorização, o Barroso enviou os inquéritos para a primeira instância.

Fonte: Yahoo

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