Há quem diga que a música pode ser a ponte entre dois mundos, dois lados que se encontram dentro de um acorde. A melodia aproxima e a harmonia encanta de forma que as canções se tornam universais.

Parece uma conversa estranha, mas quem é que nunca fechou os olhos e sentiu algo bom, ou lembrou de alguém durante uma música? Identidade, sentimentos, histórias, momentos e coisas que sentimos à flor da pele que nem nós mesmos sabemos explicar.

Comigo, confesso que senti algo assim pela primeira vez quando ouvi meu pai cantando Hey Jude, dos Beatles, enquanto tentava me fazer dormir. Ele chegava cansado do trabalho, e, mesmo sem nunca ter pronunciado uma palavra em inglês corretamente, conseguiu transmitir o real sentido da música: você pode tornar tudo melhor, ainda há esperança!

Certamente não fui o único a sentir isso, tanto que, na noite deste sábado (30), mais de 42 mil pessoas lotaram o Couto Pereira, em Curitiba, para assistir ao show de Paul McCartney pela turnê Freshen Up.

Pouco antes do começo da apresentação, a multidão ainda estava sentada no chão do estádio, à espera do ídolo. Em uma volta pela pista, ouvi grupos conversando em idiomas, sotaques e dialetos diferentes, mas, quando a apresentação começou, todos falaram a mesma língua: as canções dos beatles.

Quase três horas de muita emoção
McCartney, aos 76 anos, fez honra à fama inglesa e subiu ao palco pontualmente às 21h30, horário marcado para o início da apresentação. Com “A Hard Days Night”, o ex-bleatle fez a plateia pular e mostrou que o show seria intenso desde a primeira música.

Carismático, com uma simpatia única em relação aos outros ídolos do rock, Paul encantou os fãs com a sua simplicidade. Arriscou muito bem o português com”tamo junto”, “piá”, “guria”, “valeu” e até mandou um “suave na nave”, que fez a alegria da plateia.

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O repertório, composto por músicas que marcaram a vida de muita gente (assim como a minha), teve desde os singles dos beatles, como Love me Do, Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, até composições novas de Paul

Com letras que falam sobre amor, paz e humanidade, a emoção transbordou em vários momentos da apresentação. Em My Valentine, McCartney fez questão de oferecer a música para a mulher que inspirou a canção: Nancy, sua terceira esposa, que também estava presente no Couto Pereira. Embalados pela música, alguns casais também se abraçaram e aproveitaram o momento para compartilhar o sentimento da música.

O show foi de tirar o fôlego durante as 2h40 que durou, mas alguns momentos merecem destaque. A performance de “Blackbird”, escrita pela dupla Lennon-McCartney, elevou não só a emoção, mas também o próprio Paul, que foi levantado em uma estrutura do palco. Com seu violão e pedidos de “Direitos Humanos”, o ex-beatle fez uma crítica aos conflitos raciais e levantou a bandeira de uma sociedade mais justa.

Algumas canções mais famosas foram deixadas para o final. Em “Something”, o ex-beatle emocionou ao homenagear o amigo George Harrison, que compôs a canção. O instrumental da música foi feito apenas com um Ukulele – instrumento havaiano -, que segundo Paul, era um dos favoritos de Harrison. O refrão de “Live and Let Die” fez até os fãs mais velhos pularem, com explosões no palco e muitos fogos de artifício.

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Em meio à fumaça, Paul deu início ao momento mais aguardado do show (pelo menos para mim). Em seu piano, as primeiras notas de “Hey Jude” trouxeram a memória que tive, lá atrás, quando meu pai cantava para mim. Perto de mim, poucas pessoas conseguiram segurar a emoção: eram olhos lacrimejados, sorrisos esboçados nos rostos, seguidos de gritos de “NA NA NA”. Nesse momento, a maioria dos fãs levantou uma plaquinha escrita com as sílabas “NA NA NA”. A empolgação foi tanta que, em alguns momentos da música, o coral feito por mais de 42 mil vozes cantou acapella.

Até então, Paul tinha encerrado o show, que sempre acabava com Hey Jude. Mas um trio de metais e vários fogos de artifícios o receberam novamente para uma sequência final. Após 37 canções, o ex-beatle deu adeus ao estádio durante uma queima de fogos. “Obrigado Curitiba”, disse Paul, mandando um beijo diretamente para a câmera que transmitia para o telão.

Em quase três horas, o cantor, de 76 anos, não bebeu água ou sequer parou para descansar. Em uma noite mágica, McCartney mais uma vez encantou os curitibanos com sua simplicidade, vitalidade e é claro: o amor pela da música.

Fonte: Massa News

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