Mãe de idosa mantida em cárcere privado diz que nunca perdeu esperança de encontrar a filha

A mãe da idosa mantida em cárcere privado em Vinhedo, no estado de São Paulo, afirmou que nunca perdeu a esperança de encontrar a filha mais velha. Maria da Silva Santos, de 81 anos, contou, à equipe da RIC Record TV, que passou os últimos 20 anos atrás de informações que pudessem levar ela até Iva da Silva Souza, hoje com 63 anos. (Assista reportagem abaixo)

“Eu quero dar um abraço nela e um beijo bem tranquilo”, disse dona Maria ao afirmar que nunca mais vai sair de perto da filha. A família toda espera ansiosa pela volta de Iva, que está em um abrigo no interior de São Paulo, sob os cuidados de uma equipe de apoio, até que possa voltar para casa.

Para João Roberto Souza, irmão da idosa mantida em cárcere privado, a alegria de poder reencontrar a irmã, se mistura também com a tristeza de imaginar tudo o que ela possa ter passado. “Sempre nas reuniões de família, no Natal, nós sempre tinha aquela lembrança de estar faltando uma pessoa. Não sabia como ela tava, se tava morta ou viva, se tava doente. Você ficava agoniado, dormia pensando”, conta.

Segundo a família, Iva saiu de casa, em Jesuítas, no interior do Paraná, com cerca de 24 anos para procurar emprego em São Paulo. “Meu irmão veio de São Paulo, aí ela quis ir junto. Ele falou lá é fácil pra pegar emprego. Aí, ela pegou e foi com ele”, contou Maria a mãe da idosa mantida em cárcere privado em Vinhedo.

Por cerca de 20 anos, Iva trabalhou como empregada doméstica em vários lugares e sempre manteve contato com a família. No entanto, conforme a mãe, de uma hora para outra eles perderam o contato com ela e foi então que registraram, em 1996, um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento.

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O caso só foi descoberto porque a Polícia Civil de São Paulo foi até o local para investigar uma denúncia de estelionato. Porém, quando os policiais chegaram no local se depararam com duas idosas sozinhas na casa e foi,então, que Iva pediu por ajuda para um dos investigadores.

A delegada Denise Margarida explicou que logo que os policiais voltaram para a delegacia reportaram a situação. “A partir daí, começamos a fazer um levantamento através de bancos de dados e também de antigos locais onde eles já residiram. Com informações de testemunhas, pudemos comprovar que na verdade essa senhora cuidava dessa outra idosa e ela vivia num cárcere privado”, disse.

Além do cárcere privado, o casal aplicava golpes bancários usando o nome de Iva. Écio Pilli Júnior, de 47 anos, e Marina Okido, de 65 anos, foram presos.

Conforme as investigações, Iva era mantida em condições análogas à escravidão: era obrigada a cuidar da senhora de 88 anos sem receber salário, era proibida de sair da residência e também era constantemente humilhada.

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