Ibovespa zera ganhos da semana, com Fed em evidência

A piora do movimento das bolsas americanas nesta tarde contaminou as ações dos bancos brasileiros, um dos de maior peso no Ibovespa, e levou o índice a acentuar a correção. Assim, com a queda de hoje, o Ibovespa selou sua segunda semana seguida de ganhos zerados, enquanto o investidor convive com a falta de elementos na cena doméstica para direcionar as aplicações.

Após ajustes, o Ibovespa caiu 1,21%, aos 103.452 pontos hoje. Na mínima intradiária, o índice chegou a tocar os 103.388 pontos. Na semana, o índice acumulou queda de 0,44%.

Vale destaque, porém, ao giro financeiro, de R$ 9,3 bilhões no dia. É um dos menores giros diários recentes e também uma marca muito inferior à média diária negociada nos pregões de 2019, que é de R$ 12 bilhões. Isso dá uma boa medida do compasso de espera do investidor por elementos que justifiquem uma movimentação dos portfólios.

No destaque por ações, tiveram perdas mais expressivas Bradesco (-1,25% a ON e -2,26% a PN) e Itaú Unibanco (-2,60%), enquanto Petrobras também perdeu força no dia (-0,03% a ON e -0,25% a PN). Na contramão, ficou a Vale (0,25%), embora mesmo a mineradora tenha deixado uma alta mais robusta de lado para ficar perto da estabilidade.

A piora do desempenho do mercado de ações é creditada por analistas e operadores a um movimento mais forte de vendas estimulado pelo exterior. Como buscam papéis mais líquidos para ajustar a sua exposição ao Brasil, os investidores acabam mirando o setor financeiro, devido ao seu tamanho no Ibovespa.

Após euforia com Previdência, Ibovespa desacelera ganhos

O desempenho foi resultado da publicação de um artigo pelo “The Wall Street Journal” nesta tarde, que afirma que o Federal Reserve tem uma inclinação a cortar os juros em 0,25 ponto percentual em julho, e não de 0,50 ponto percentual. Após a divulgação do material, os índices de ações de Nova York perderam força, assim como ativos brasileiros negociados em Wall Street.

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Isso acontece porque um corte de juros nos Estados Unidos força o investidor a buscar maior rentabilidade em outros ativos globais mais arriscados. Com uma reversão de apostas mais agressivas, o investidor acaba estimulado a deixar a renda variável e moedas emergentes e colocar mais proteção na carteira, via renda fixa americana.

Para Ari Santos, gerente da mesa de operações da H.Commcor, movimentos de abertura e fechamento de posições numa única sessão — o chamado “day trade”, no jargão do mercado — explicam a piora da performance da bolsa no fim do dia.

“Muita gente entrou no mercado pela manhã na ponta compradora, o que manteve as ações dos bancos com um desempenho não tão negativo. Mas o mercado não melhorou, ao contrário. Nesse caso, quem já estava operando aproveita a onda vendedora para se desfazer de papéis”, diz Santos. “Mas devemos ressaltar que o giro está muito pequeno, isso faz com que movimentações não tão grandes tenham um efeito mais notável.”

O desempenho dos ativos locais já era negativo desde cedo, depois que o Fed de Nova York divulgou um esclarecimento em relação a comentários feitos pelo seu dirigente regional, John Williams, ontem. Ele havia afirmado que a autoridade monetária precisa “agir rapidamente diante dos primeiros sinais de fraqueza econômica”, o que estimulou a compra de ativos de risco globalmente, inclusive ações brasileiras e o real.

Um esclarecimento pelo Fed foi publicado horas depois, com reflexo no mercado hoje, já que autoridade afastou a tese de que haverá um corte robusto de juros. O comunicado dizia que a fala de Williams deveria ser levada do ponto de vista acadêmico, e não como sinal para a decisão de juros da autoridade monetária.

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